Foi no longínquo e bem-aventurado dia 13 de Novembro de 1881 que um triunvirato de músicos e amigos – José Caetano dos Santos Ribeiro, Caetano Dias Ferreira e Manuel José Alves – deu forma primeiro e vida depois, ao que viria a ser a jóia da coroa desta terra prenhe de história. Embalada por um sonho que já vinha de trás, assim nascia a “Sociedade Phylarmónica Harmonia Pinheirense”- primeira denominação oficial – alterada uma vintena de anos mais tarde (1901) para “Sociedade Harmonia Pinheirense” adoptando, posteriormente, a designação de “Sociedade Musical Harmonia Pinheirense” que conserva, ainda hoje, a popularmente conhecida BANDA DE MÚSICA DE PINHEIRO DA BEMPOSTA.

O Homem sonhou, a Obra nasceu e a escritura pública subscrita pelo punho dos primeiros dezasseis entusiastas associados (a que, depois, se juntou mais doze), constituiu o passo seguinte rumo à definitiva oficialização da Sociedade.

Em Janeiro de 1882 (dois meses após a sua fundação) a Banda adquiriu no Porto o primeiro instrumental e, pouco tempo volvido (Março), aconteceu o baptismo formal, tocando então em público pela vez primeira e sob a batuta de um dos fundadores – Caetano Dias Ferreira – seu primeiro Regente.

Tinha a Banda por essa altura como sede, uma pequena casa da família Arêde, na Rua das Vendas e que lhe serviu de berço durante oito anos. Depois, mudou-se para um prédio à entrada da “Quinta do Calvário” onde instalou o quartel-general que manteve ao longo de setenta e sete anos, sempre gratuitamente, por especial deferência do proprietário, Dr. Daniel de Araújo Ribeiro.

Após um período em que, pelos escassos testemunhos remanescentes desses primeiros tempos fica, ainda assim, a sensação de que a Banda vivia, fundamentalmente, dos valores locais, adveio uma nova fase de grande impulso e inegável projecção desta filarmónica pinheirense.

Assim, não foi por acaso que em 1913 pôde orgulhar-se de ter sido a primeira Banda civil em Portugal a utilizar um instrumental em diapasão normal, totalmente niquelado, expressamente fabricado em Paris, oferecido por Sebastião Lopes da Cruz e inaugurado com a pompa que a circunstância exigia, nas tradicionais festas em honra de Nossa Senhora de La-Salette desse ano.

No entanto, sobre o seu primitivo repertório, infelizmente, pouco se conhece. Contudo, o livro escrito pelo fundador, datado de 1884, menciona explicitamente a aquisição de algumas partituras, hinos e ordinários (marchas), sabendo-se que, posteriormente, e durante vários anos o repertório era constituído por trechos de óperas, operetas e zarzuelas.

Aliás, a sua riqueza e variedade musical foram evoluindo na razão directa do empenho dos Directores Artísticos (Regentes) que nela têm servido e que muito contribuíram para o crescente engrandecimento da Banda.
Por alvará de 15 de Dezembro de 1966, emanado pelo Governo Civil de Aveiro, foram aprovados os Estatutos que garantem à Colectividade a sua existência legal e personalidade jurídica.

Em Novembro de 1981, a comemoração do centenário da Banda mereceu honras de acontecimento pouco visto na terra ao congregar num programa variado actividades diversas ao longo de três semanas, desde os desfiles e concertos de Bandas (aniversariante e convidadas) até ao descerramento de uma placa na sede, passando pela romagem ao cemitério (onde também foi descerrada uma placa), a emissão de uma medalha comemorativa e a condecoração dos músicos mais antigos.
Em 1987 a aquisição de um novo e completo instrumental possibilitou, não só, a distribuição dos instrumentos existentes pelas classes mais adiantadas de aprendizagem, como representou um notável e importante incremento para a Escola de Música.

Dois anos mais tarde (1989) teve início o arrojado projecto da restauração do edificio-sede (adquirido em 1966) e em 1990 foi comprado o novo fardamento.

De resto, 1990 foi um ano memorável na história da Banda já que no dia 8 de Dezembro aconteceu, enfim, a concretização de um sonho há muito acalentado.

E o embarque para uma digressão ao Rio de Janeiro revelou-se um acontecimento marcante na vida desta centenária colectividade, graças ao empenho da Direcção de então, presidida por Ápio Assunção e ao esforço desenvolvido, tanto pela Revista “Portugal” como pelo Jornal “A VOZ DE AZEMÉIS”.
Foi a Casa de Viseu que abrindo as portas, recebeu e instalou durante oito dias a comitiva da Banda.

E, além de se apresentar em várias outras Casas Regionais (Casa de Aveiro, Casa de Vila da Feira, Arouca Barra Clube e Clube Português de Niterói), actuou ainda com a Banda Sinfónica da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), no Consulado Português, no Campo de S. Bento Icaraí – Projecto “Banda na Praça” e na cidade de Rio Bonito, no interior do Estado do Rio de Janeiro onde foi recebida pelo representante da Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro que fez questão de incluir a Banda de Música de Pinheiro da Bemposta nas “10 Bandas Centenárias do Rio de Janeiro”.

Era o reconhecimento público do trabalho desenvolvido pelos seus directores, da actuação exemplar dos seus músicos e da competência artística do maestro de então – o pinheirense Américo Nunes – fieis depositários da cultura portuguesa além-mar e a Banda sua digna embaixadora em terras brasileiras.

Por altura do 114° aniversário (1995), a Banda inaugurou as suas restauradas instalações, solenidade que contou com a presença oficial, não só, do recém-empossado Governador Civil de Aveiro, Dr. Antero Gaspar, como do anterior titular, Dr. Gilberto Madail.

O saber, de competência feito, desde Caetano Dias Ferreira, um dos fundadores e primeiro regente da Banda até ao regressado Américo Nunes, actual director artístico, passando por todos os restantes, semeou ao longo de 126 anos pelos quatro cantos do país a fama de que hoje colhe admiração e respeito. O mesmo, de resto, poderá afirmar-se dos Dirigentes e Beneméritos – filhos ilustres da terra – que, por obras valorosas, vão deixando o seu nome indelevelmente ligado à imagem de marca desta Banda (re)conhecida como um dos mais altos expoentes na difícil arte de bem executar música. Actualmente, com cerca de seis dezenas de executantes – 5 tubas, 3 trompas, 1 barítono, 6 trombones, 8 trompetes, 2 fliscornes, 2 bombardinos, 9 saxofones, 1 flautim, 4 flautas, 15 clarinetes e 5 executantes de percussão – o corpo de músicos é uma mescla da juventude de uns com a experiência de outros para brio da Instituição- Banda de Música – da terra que a viu nascer- Pinheiro da Bemposta – e como tributo aos que, no passado, tudo fizeram para que, no presente, a Banda de orgulhe de mostrar aos que, no futuro, a hão-de continuar!