Em 1858 era Prior de Vagos João de Miranda Ascenso, um dos mais notáveis sacerdotes que a vila conhecera. Dele se cita um diálogo travado com o grande poeta Guerra Junqueiro, já famoso quando passou por Vagos, em busca de antiguidades, de que era apaixonado, e se instalou em sua casa. É que, tendo-lhe o sacerdote observado que sabia da sua inimizade com o Clero, recebeu como resposta: “de sacerdotes com a categoria de Vexa não posso eu dizer mal”.

O Prior possuía tudo o necessário para ornamentação das festas de Vagos, desde os mastros e respectivas bandeiras, até às lanternas, ao coreto e tudo o mais indispensável para armar condignamente os altares da Igreja.

Porém, não havia uma música na vila, o que mais uma vez se fez sentir nesse ano, quando foi necessário pedir a colaboração de uma Filarmónica de Aveiro para abrilhantar as festividades em honra da Nossa Senhora de Vagos. Foi nessa altura que a ideia da criação de uma banda lhe surgiu, dela dando imediato conhecimento ao Presidente da Câmara Municipal, que era Duarte Justiniano da Rocha Vidal e ao respectivo secretário, Constantino Fernandes Maia.

A 6 de Julho do mesmo ano reuniu na residência paroquial, e a convite do Prior, um grupo de pessoas para discutir e aprovar a criação da Banda. Desse grupo, além do Prior, do Presidente da Câmara e do Secretário, fizeram também parte António Máximo Branco de Melo, morgado e proprietário, Dr. Cipriano dos Santos Graça, médico, Manuel José Pinto Camelo Coelho, escrivão de direito e tabelião, João Ferreira da Cruz, proprietário e administrador do concelho, Manuel José da Trindade, professor primário, e José Caetano Santiago, proprietário.

Aí ficou resolvido abrir-se uma escola de música e que alguns dos presentes fossem a Aveiro falar a pessoa competente que pudesse orientar os alunos.

E a verdade é que, pouco depois, já a escola era frequentada, começando a vir de Aveiro a Vagos, uma vez por mês, Guilherme Santana, para dirigir os trabalhos de aprendizagem, e que veio a ser o primeiro regente da Banda de Vagos. A aula era ministrada na residência paroquial; mais tarde, com essa finalidade, o Prior Ascenso mandou construir um pequeno salão no jardim da mesma residência.

Pouco tempo depois, já se ouviam os músicos tocar alguns números, mas muitos dos instrumentos tiveram de ser emprestados pela Música de Aveiro.

Guilherme Santana veio a ser o primeiro regente da Banda Vaguense, (BV) que se estreou oficialmente no dia 24 de Junho de 1860, numa festa dedicada a S. João, cuja imagem se encontrava num nicho que encimava a porta de entrada da casa do Presidente da Câmara de Vagos, Duarte Justiniano da Rocha Vidal.

Aquando da candidatura do grande tribuno José Estêvão Coelho de Magalhães para deputado da Nação, este veio pessoalmente a Vagos tratar dos pormenores da sua campanha eleitoral. Chegou a Vagos já de noite, desembarcando de uma bateira que aportou ao esteiro da vila, onde foi aguardado por muitos populares munidos de archotes, que o conduziram à casa onde se hospedou, que era precisamente a do Presidente da Câmara Duarte Vidal.

Nessa enorme casa, que pertenceu aos membros da Família Vidal até cerca de 1930, ainda era apontado com veneração o “quarto de José Estêvão”, com uma vista magnífica sobre o chamado quintal do ribeiro, o Rio Boco e os pinheirais da Pedricosa.

A Banda Vaguense incorporou-se no cortejo, entusiasmando o povo que muito apreciava o grande tribuno. E a sua retumbante vitória foi da ordem dos 515 votos para 126, só na Vila de Vagos. Por isso, José Estêvão conseguiu neutralizar a vantagem que o seu adversário Manuel Firmino alcançara em Aveiro.

José Estêvão não foi ingrato com o Povo de Vagos nem com a sua Banda Vaguense. Assim, quando chegou a Lisboa para frequentar o Parlamento, logo enviou para cá um valioso instrumento de metal.

Após a eleição, o Prior Ascenço dirigiu-se a Aveiro acompanhado de grande número de eleitores e com a Banda Vaguense à frente, para felicitar o eleito, que lhes ofereceu um jantar na “Rua dos Buxos”, na Quinta do Seixal. Este foi um dos primeiros grandes actos em que participou a BandaVaguense, mas outros se lhe seguiram, também relacionados com a figura desse notável parlamentar José Estevão.

Assim, a B.V. incorporou-se no seu funeral, em 14 de Maio de 1864, num preito de homenagem e grande saudade.

Mais tarde, quando se inaugurou o retrato de José Estevão numa sala da Biblioteca do Liceu de Aveiro, em 21 de Outubro de 1867, por iniciativa da Academia Aveirense, também a nossa Banda tomou parte no festival realizado na tarde desse mesmo dia, no Largo Municipal, executando, conjuntamente com as Bandas de Aveiro, Águeda e Vista-Alegre, um hino expressamente composto para a cerimónia.

E quando se inaugurou a estátua do grande orador, na cidade de Aveiro, em 12 de Agosto de 1889, ainda a Banda de Vagos integrou-se no brilhante cortejo realizado, e em todas as demais demonstrações festivas desse dia.

(Fonte histórica: Livro do Centenário da Banda Vaguense – 1960)
A Banda Vaguense, iniciou a sua actividade em 24 de Junho de 1860, tendo sido seu primeiro Fundador o Prior Joäo de Miranda Ascenso, então pároco de Vagos.

Pela sua regência, já passaram desde então grandes nomes do meio musical nacional, dos quais se destacaram Berardo Pinto Camelo e Duarte Gravato.

O actual maestro da Banda é o Sr. Leonel Ruivo, com estudos obtidos no Conservatório de Música de Aveiro. Frequenta a Licenciatura em Música da Universidade de Aveiro.

Presentemente a Banda é composta por cerca de 60 elementos, na sua maioria jovens, formados na Escola de Música da Associação e outros estabelecimentos de ensino.
Esta Escola é frequentada anualmente por mais de 30 alunos, sendo alguns já executantes da Banda.
A Banda tem efectuado inúmeras actuações de sucesso no País e já actuou também em Espanha, tendo participado em vários Encontros de Bandas.
Em Julho de 2007 a Banda actuou no I Encontro de Bandas de Vagos, juntamente com mais três Bandas nacionais.
Recebeu em 2007 o Prémio Vaga d’Ouro, na categoria cultura.
Em 2008 participou no 2º Concurso de Bandas da cidade de Vila Franca de Xira, actuou em Foz-Côa em Julho e ganhou o prémio Vaga D’Ouro na Categoria Cultura.
Em 2009, participou na recepção ao Sr. 1º Ministro, Eng.º José Sócrates, na Santa Casa da Misericórdia de Vagos, no aniversário da Caixa de Crédito de Vagos, no II Encontro de Bandas de Vagos e em Setembro no XV Festival de Bandas Filarmónicas de Alvega – Abrantes.
Em 2010, integrada no programa BANDAS EM CONCERTO, organizado pela Direcção Regional de Cultura do Centro, executou um Concerto na cidade de Castelo Branco e em Novembro em Sever do Vouga, foi ainda galardoada com a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro e foi-lhe atribuído o título de Pessoa Coletiva de Utilidade Publica.
Em 2010 a Banda Vaguense apresentou em público a composição “Abertura Festiva”, para festejar os 150 anos da Associação, escrita pelo compositor português Sérgio Azevedo.
Em 2011 A Banda Vaguense deslocou-se à cidade da Amadora, onde participou no Festival de Bandas organizado pela Banda local, foi-lhe atribuída também a Medalha da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal, é Entronizada Confrade pela Confraria das Saínhas, recebe a Medalha de Mérito Distrital e lança o seu 1º CD.
Em 2012 a Banda Vaguense participou no 4º Concurso Internacional de Bandas de Vila Franca de Xira.
Já em 2013 a Banda participou no Festival de Bandas de Abrunheira e no 4º Encontro de Bandas de Santo António de Piães, Cinfães.
A Banda organizou conjuntamente com o grupo de Teatro “Fantástico”, um espetáculo intitulado “Retalhos do Passado”, no qual executou várias músicas ligeiras antigas, acompanhando cantores. Este evento foi apresentado três vezes, face ao êxito obtido.
Em maio de 2014, a Banda participou no 5º Concurso de Bandas Filarmónicas de Vila Franca de Xira, em 3ª categoria, tendo sido classificada em 3º lugar, participou também no concurso CIB Filarmonia D’ouro tendo recebido um certificado de Excelência, recebe ainda Voto de Louvor atribuído pela Junta de Freguesia de Vagos e Santo António e foi convidada pela Fundação Inatel e Direção Regional de Cultura do Centro a executar um concerto no Convento de Santa Clara-a-Velha, Coimbra, integrado no Dia Nacional das Bandas Filarmónicas.
Já este ano participou em dois concertos no Mosteiro dos Jerónimos tendo sido o segundo integrado nas comemorações das Jornadas Europeias do Património 2015, participou no Certamen Internacional de Bandas de Música Armónico Zamora tendo obtido o Primeiro Prémio da sua categoria, recebeu Voto de Louvor atribuído pela Câmara Municipal de Vagos, e executou um concerto com o Tenor Carlos Guilherme no Teatro Aveirense nas comemorações do 34º Aniversário do Grupo Etnográfico e Cénico das Barrocas.