É com muito orgulho e satisfação que falo de Jorge Ferreira cuja carreira artística tive oportunidade de acompanhar desde o seu início, tímido e reservado, ninguém diria que na rampa de lançamento estava aquele que hoje considerado um autêntico embaixador da música portuguesa no Mundo. Não obstante, nunca deixou de ser a pessoa simples e simpática que conheci então, não esquecendo nunca os amigos nem o caminho aqui e ali espinhoso da sua triunfante carreira.

Nascido na Freguesia da Ajuda Bretanha, concelho de Ponta Delgada, Ilha de S.Miguel Açores, é o mais novo de seis filhos de Francisco Ferreira e Maria Rosa Ferreira. Desde muito novo demonstrou interesso pela música e inscreveu-se na Filarmónica local, ainda no tempo da instrução primária. Já tocava alegremente o trompete e harmónica quando é informado pelos pais que tinha de os acompanhar para os EUA deixando atrás cinco irmãos que só mais tarde viriam fazer companhia á família.

A vida na América começa com algumas dificuldades. A escola, o ter de ajudar os pais e a necessidade de trabalhar na agricultura. Tempos difíceis costuma recordar, mas dentro dele a paixão pela música como que lhe dá incentivo para ultrapassar todas as dificuldades, até porque neste lado do Atlântico se tornava mais fácil arranjar maneira de aprender música. Começa por se integrar num agrupamento musical e em breve o seu nome circula por toda a parte. Eram os tempos dos serões dançantes nos clubes, salões de igrejas e arraiais. O menino da Bretanha cantava Inglês e português, e aos poucos a sua vóz ganhava tempo e espaço nos serões de milhares de portugueses neste lado do Atlântico. Mas o destino estava e uma das primeiras editoras discográficas portuguesas em Fall River contacta-o para fazer três gravações em português. Na altura assina um compromisso que dura três anos e estava aberto o caminho para novas fronteiras… Uma nova estrela tinha nascido.