Mudaram-se para Weed, pequena cidade no meio do estado da Califórnia, após uma viagem de mais de 20 horas. Isolados de tudo e de todos, com tempestades de neve dia sim, dia não, concentraram-se exclusivamente nos esboços das músicas que levavam de Lisboa. Durante mês e meio, acertaram-se pormenores instrumentais, escreveram-se letras e exploraram-se novas sonoridades.
Depois de diversos contactos com vários produtores, obtiveram a resposta positiva de Sylvia Massy, produtora galardoada com dois Grammys, conhecida pelos seus trabalhos com Johnny Cash, Prince, Tool, Foo Fighters e Smashing Pumpkins, entre outros. Como explica Filipe Contente “Sentimos que estávamos a ter a primeira experiência com um produtor que gostava mesmo do que estava a fazer”.Se por um lado, se associa de imediato à sonoridade da banda, por outro, sente-se uma evolução musical, uma exploração de novos ritmos e um piscar de olhos às influências anglo-saxónicas. “Há uma coisa que nós quisemos com estes dois álbuns foi que a banda fosse crescendo de uma forma gradual. Nós nunca investimos muito na imagem, queríamos que as pessoas conhecessem a música”, afirma Diogo Dias.O nome Hipocondria, surge durante o processo de gravação. Estar em estúdio implica uma auto- observação constante que toma conta da banda. Ouve-se cada acorde até lhe perder o som, refaz-se cada música vezes sem conta até não saber se o melhor ficou para trás. O diagnóstico dos outros não encaixa, porque a solução está dentro de cada elemento do grupo. Durante este processo, cria-se a doença e inventa-se a própria cura, num verdadeiro estado de hipocondria.