Dizer que Nancy Vieira é cabo-verdiana poderia ser uma forma de justificar a sua inata musicalidade. Mas não fica tudo dito. A cantora surpreende quem a ouve pela sua voz doce mas firme e pelo sentimento e ritmo que imprime na sua interpretação. Cabo Verde é inspiração. É causa e efeito no seu canto. O mundo é o auditório e parte integrante de uma miscelânea cultural que a influencia.

Pelo espectáculo passarão temas do disco Lus, onde Nancy Vieira aposta no cruzamento de sonoridades cabo-verdianas, como a morna, a coladeira, o funaná e o batuque, com sons de outras paragens.

Nancy Vieira confirma-se como uma referência obrigatória do panorama da World Music quando em 2004 edita Segred, que chama a atenção do público e da crítica especializada. Mas a afirmação do seu sucesso vem acontecendo desde 1995, ano em que lança o seu primeiro disco, Nôs Raça. Este trabalho faz com que comece a ser convidada para estar em palco com os nomes mais sonantes da música de Cabo Verde. Em 2007, a Princesa da Voz de Oiro, como a chamou Paulino Vieira, edita em Portugal, Cabo Verde e Japão, o seu terceiro disco, Lus, onde conta com a participação de Tito Paris, no tema “Esperança de Mar Azul”.

A sua voz tão peculiar justificou a edição mundial do disco Lus pela Harmonia Mundi/World Village, em 2009, e tem sido pretexto para ser convidada a participar em discos e espectáculos de inúmeros artistas de entre os quais se destacam Juan Medrano Cotito (Peru), Rui Veloso, Ala dos Namorados e Dany Silva. Também em 2009 é convidada a dar voz ao disco Pássaro Cego, com músicas de Manuel Paulo e letras de João Monge, editado em Outubro desse ano.

Com três discos editados – Nôs Raça, Segred e Lus –, Nancy Vieira tem actuado em Portugal e Cabo Verde, e um pouco por todo o mundo: Espanha, Reino Unido, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Grécia, Itália, Estados Unidos, Brasil e Angola.